Wargames (Jogos de Guerra). Nostalgia estilo Sessão da Tarde, depois de 26 anos.

October 12, 2009

Ontem à noite assisti um filme que não via a nem sei quanto tempo, Wargames, Jogos de Guerra em nosso vernáculo.

Com um Matthew Broderick com cara de 16 mas já com 21 anos quando o filme foi feito (1983) ele conta a história de um geek que acha um acesso via modem a um computador militar que ele pensa ser um jogo e na verdade é uma inteligência artificial chamada Joshua, criada para simular uma guerra nuclear mundial. Claro que a coisa sai do controle com os militares pensando que a coisa era pra valer e quase começando uma guerra de verdade. Até aí tudo bem mas o geek em mim deu umas rangidas de dente na noite passada com os furos de roteiro que o filme tem no final. Aviso: conteúdo übergeek e spoilers pesados à frente. Se você esteve debaixo de uma pedra nos últimos 25 anos e/ou nem sabe do que estou falando, esteja avisado :)

O filme vai bem até o momento que os heróis chegam ao Norad e convencem o general que é tudo uma simulação (nem vou entrar no mérito de um cientista que havia deixado o projeto e dois adolescentes estranhos entrarem correndo um uma base militar estratégica, capaz de lançar armas nucleares, em Defcom 1 – estado de alerta máximo – simplesmente porquê uma pessoa gritou que eles estava autorizados) e Joshua tenta descobrir os códigos de lançamento dos mísseis. Vou fazer uma comparação: já errou sua senha do cartão do banco? Que tal se não tivesse aquela coisa de “errou 3 vezes, já era”? pois é, teoricamente alguém poderia tentar combinação atrás de combinação e conseguir acessar sua conta. Agora, levemos em consideração que o código tinha apenas 10 dígitos contendo letras (apenas maiúsculas ao que parece) e números (caso você esteja curioso, o código era CPE1704TKS) isso daria um total de 2064377754059776 combinações (24 letras mais 10 algarismos em 10 diferentes posições) realmente um número muito grande mas o computador em questão, WOPR, deveria ser algo sofisticadíssimo e com maciço poder de processamento mas vamos dizer que mesmo assim ele fosse levar dias até achar a combinação certa. Ok, até o momento temos um código que poderia levar bastante tempo para ser quebrado mas estupidamente simples, podendo ser resolvido via método de força bruta (tentando todas as combinações até achar a certa) e sem um sistema de “3 tentativas você está fora” que é básico em sistemas de segurança com senha mas isso não é o pior. O pior é que o sistema diz quando uma letra ou número está correto! Lembra da moça que fica falando “Ele acertou o primeiro dígito!”? Pois é. Aí está a grande bobagem pois se fosse assim, você mesmo poderia quebrar o código facilmente. Pense comigo: voc6e pega o primeiro dígito e tenta: A? não. B? Não, C? Sim. Pronto já tem o primeiro e assim por diante. Está certo que um ser humano levaria um tempinho mas provavelmente menos de uma hora para achar o código. Um  computador por mais lerdo que fosse levaria frações de segundo.

Bom, mas este é o nerd em mim falando e torcendo o nariz para preciosismos. De qualquer maneira o filme é muito legal e indispensável para qualquer nerd que se preze. Assista em uma destas sessões da tarde da vida provavelmente junto com Curtindo a Vida Adoidado em alguma semana especial Matthew Broderick ou algo assim :)

Leave a Reply